“Uma página em branco que carrega uma ferida”.
Baseado no livro “My Cousin Maria Schneider: A Memoir”, escrito por Vanessa Schneider, “Meu Nome é Maria” é uma comovente narrativa, um tributo a Maria Schneider, jovem estrela de cinema da década de 70. A produção conta com direção de Jessica Pallud e no elenco estão: Anamaria Vartolomei, Matt Dillon, Giuseppe Maggio, Marie Gillain, Yvan Attal, Céleste Brunnquell, entre outros. A trama é contada pela perspectiva da prima mais nova, Vanessa, que a admirava, e relata como Maria alcançou a fama através do polêmico e controverso filme “O Último Tango em Paris” (Bernardo Bertolucci, 1972) e se viu envolvida em um escândalo que a perseguiria pelo resto de seus dias.
Maria Schneider nasceu em 1952 no 15º arrodissement de Paris, área nobre a sombra da Torre Eiffel fruto de um relacionamento extraconjugal de seu pai, o ator francês Daniel Gèlin. A mãe, Marie-Christine Schneider, mantinha uma relação distante e conturbada com o progenitor da jovem, que nunca a reconheceu. Apesar de ausente, Maria se espelhava no trabalho do pai e queria seguir carreira, o que gerava atrito e discussões acaloradas com a mãe. Mas, a garota amava a sétima arte desde a adolescência. Aos 15 anos, a belíssima jovem saiu de casa e começou a atuar em teatro para se manter. Foi também modelo e figurante em filmes, onde conheceu pessoas importantes do meio. Aos 18 anos, mentiu sua idade e foi escolhida por Bertolucci para o papel de Jeanne, protagonista de “O Último Tango em Paris”, contracenando com o astro Marlon Brando.
O diretor era manipulador e aproveitava-se da ingenuidade da atriz iniciante. A famosa e controversa cena do estupro com manteiga, foi sugerida por Marlon a Bernardo, que aceitou, desconsiderando o roteiro que Maria havia recebido. Ignorando o teor violento da cena, Maria viu-se humilhada e realmente “estuprada por dois homens, Bernardo e Marlon”. Marlon apenas disse: “Maria, não se preocupe, é apenas um filme” e nem ao menos se desculpou. Mesmo se tratando de uma simulação, não invalida o sofrimento da jovem que realmente chorou em cena. Ali não era Jeanne, a personagem atuando, era Maria sendo violada devido ao uso forçado da ação e do não conhecimento do que esta teria de fazer. O diretor apenas reagiu dizendo que ''a atriz não ter conhecimento faria bem às cenas para exibir sua total surpresa''. As consequências do trabalho para a carreira da jovem atriz e para sua saúde mental foram devastadoras.
Crédito de Imagens: Les Films de Mina, Orange Cinéma Séries, Moteur S'il Vous Plaît, StudioCanal, Cinema Inutile, Ciné+. Divulgação: Imovision
A produção estreou na última edição do Festival de Cannes
Esta leitura da história mostra tudo que Maria passou, indo da fama imediata ao fundo do poço por ser o cerne de um escândalo sexual. Depressão profunda, álcool, drogas, internações constantes, tentativas de suicídio. Vida e carreira destruídas pela inconsequência de um diretor misógino e insensível. A película aborda o fato de que filmes desta natureza são realizados por homens, para uma audiência masculina e que fazem das atrizes simples objetos, explorando submissão e subestimando a inteligência e perspicácia destas mulheres. E a indústria, predominantemente masculinizada, perpetua esse tipo de situação há séculos.
Anos depois, Maria abandonou o set de filmagens de ''Calígula'' (Tinto Brass, Bob Guccione, Giancarlo Lui, 1979) por não querer fazer cenas de sexo e nudez. Foi substituída por Teresa Ann Savoy que era conhecida de Tinto Brass por terem trabalhado juntos no passado. De toda forma, esta última acabou se rendeu ao sistema.
Anos depois, Maria abandonou o set de filmagens de ''Calígula'' (Tinto Brass, Bob Guccione, Giancarlo Lui, 1979) por não querer fazer cenas de sexo e nudez. Foi substituída por Teresa Ann Savoy que era conhecida de Tinto Brass por terem trabalhado juntos no passado. De toda forma, esta última acabou se rendeu ao sistema.
Trailer
- Título Original: MARIA, 2024. Direção: Jessica Palud. Roteiro: Jessica Palud e Laurette Polmanss - baseado no livro “My Cousin Maria Schneider: A Memoir”, de Vanessa Schneider. Elenco: Anamaria Vartolomei, Matt Dillon, Giuseppe Maggio, Celeste Brunnquell, Yvan Attal, Marie Gillain, . Gênero: Drama, Ficção. Nacionalidade: França. Direção De Fotografia: Sébastien Buchmann (Afc). Direção De Arte: Valérie Valero (Adc). Figurino: Alexia Crisp-Jones. Música: Benjamin Biolay. Montagem: Thomas Marchand. Design de Produção: Valérie Valéro. COR. Produção: Marielle Duigou, Les Films De Mina. Empresas Produtoras: Les Films de Mina, Orange Cinéma Séries, Moteur S'il Vous Plaît, StudioCanal, Cinema Inutile, Ciné+. Distribuição: Imovision. Duração: 1h42min. Classificação: 16 anos
Maria Schneider se declarou bissexual, em 1974, sofreu com problemas toxicogicos nos anos 90, mas se afastou com o apoio de amigos e de sua companheira. Após largar o cinema, tornou-se uma defensora dos direitos das mulheres e pelo uso correto da imagem destas em Hollywood até sua morte em 2011, aos 58 anos de idade.
A arte não pode ferir os direitos e a integridade de quem quer que seja.
Assista! Vale o ingresso!!!
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